Atualizado em: Janeiro 29, 2026
Havana continua a ser uma das cidades mais complexas, contraditórias e interessantes das Caraíbas, mas quem chega à capital cubana à procura apenas de carros antigos, mojitos e nostalgia corre o risco de não perceber nada do lugar onde está.
Este não é um destino para consumo rápido, nem um postal parado no tempo. Havana exige contexto, leitura do espaço urbano e alguma maturidade enquanto viajante.
Fundada em 1519, a cidade foi durante séculos um ponto estratégico do Império Espanhol nas Américas.
Essa importância histórica está inscrita na arquitetura, na organização das praças, na relação íntima com o porto e também nas cicatrizes visíveis do século XX: a revolução, o isolamento, a escassez e a resiliência quotidiana.
Tudo isso convive hoje com turismo, empreendedorismo informal e uma cidade que tenta adaptar-se sem se descaracterizar.
Este guia não tenta romantizar Havana nem dramatizá-la. O objetivo é simples: ajudar a visitar a cidade com consciência, separando o que é essencial do que é folclore para turistas.
Aqui encontra contexto histórico, escolhas editoriais claras sobre o que vale realmente a pena visitar, e sugestões práticas, incluindo onde ficar bem localizado e com conforto, algo crucial numa cidade logisticamente exigente.
Ler este artigo é uma forma de chegar a Havana mais preparado, com expectativas ajustadas e com capacidade para observar para além da superfície.

Havana hoje: porque este não é mais um guia turístico
Havana mudou, e fingir que não mudou é o maior erro de muitos guias de viagem.
Quem visitou a cidade há 10 ou 15 anos encontra hoje um cenário diferente: mais turistas, mais alojamentos privados, mais desigualdade visível e uma economia informal muito mais presente no quotidiano urbano.
Isso não torna Havana menos interessante, torna-a mais complexa.
A cidade vive entre duas narrativas: a do mito congelado no tempo e a da realidade contemporânea. O viajante informado deve posicionar-se algures no meio.
As fachadas descascadas não são apenas “pitorescas”; são resultado de décadas de falta de manutenção. A música nas ruas não é só espontaneidade cultural; muitas vezes é sustento diário. Entender isto muda completamente a forma como se observa a cidade.
Habana Vieja continua a ser o coração histórico e simbólico, classificado como Património Mundial da UNESCO desde 1982, mas está também profundamente moldada pelo turismo.
Isso não invalida a visita, obriga apenas a olhar com mais atenção. As quatro praças fundacionais continuam a estruturar a cidade antiga, mas hoje funcionam também como palco económico.
Este guia assume uma posição clara: visitar Havana faz sentido, desde que se aceite a cidade como ela é hoje. Sem filtros românticos, sem culpa excessiva e sem consumo acrítico da experiência turística.

O que ver em Havana com contexto (e não só para fotografar)
Explorar Havana não é acumular pontos num mapa, é compreender a lógica urbana e histórica da cidade.
Habana Vieja merece tempo, não pressa. As suas ruas estreitas ligam praças que tiveram funções muito específicas: militar, religiosa, comercial e portuária. Perceber essa organização ajuda a ler a cidade como um organismo e não como um cenário.
A Plaza de la Catedral destaca-se pelo barroco cubano do século XVIII e pela própria história do local, que foi em tempos um pântano drenado.
A proximidade da Bodeguita del Medio faz dela um ponto inevitavelmente turístico, mas ainda relevante enquanto lugar histórico, desde que a visita seja breve e consciente.
O Capitólio Nacional, inspirado no modelo de Washington, é um símbolo da Cuba pré-revolução e ajuda a compreender o país antes de 1959. Já o Museu da Revolução, instalado no antigo Palácio Presidencial, oferece uma narrativa oficial e indispensável para entender o discurso do Estado cubano, mesmo que deva ser lido com espírito crítico.
A Praça da Revolução e o mural de Che Guevara não são apenas ícones visuais: são espaços políticos ativos na memória coletiva. A visita ganha sentido quando se percebe o papel simbólico que ainda desempenham.
Havana recompensa quem observa mais do que fotografa.

Onde ficar em Havana: hotéis bem localizados
Escolher bem onde ficar em Havana é fundamental, não apenas por conforto, mas por logística e segurança. A cidade é extensa, o transporte irregular e o calor constante. Ficar bem localizado muda completamente a experiência.
Para quem procura hotéis de gama alta, o Gran Hotel Manzana Kempinski é a referência absoluta. Situado junto ao Capitólio, oferece conforto internacional num edifício histórico restaurado, com piscina no rooftop e fácil acesso a Habana Vieja.
Outra excelente opção é o Iberostar Grand Packard, moderno, bem isolado acusticamente e estrategicamente localizado entre o centro histórico e o Malecón. É ideal para quem quer explorar a pé durante o dia e regressar a um ambiente contemporâneo.
O Hotel Saratoga, recentemente renovado, continua a ser uma escolha sólida para quem valoriza arquitetura, vistas e proximidade aos principais pontos culturais. Já o Royalton Habana aposta num conceito mais urbano e atual, junto ao mar.
Evitar zonas demasiado periféricas ou alojamentos sem estrutura profissional é aconselhável, sobretudo em estadias curtas. Em Havana, um bom hotel não é luxo, é estratégia.

Quando visitar Havana e o que saber antes de ir
A melhor altura para visitar Havana vai de dezembro a maio, durante a estação seca.
As temperaturas são mais amenas e o risco de furacões é praticamente inexistente. Entre junho e novembro, o calor é intenso, a humidade elevada e existe risco real de tempestades tropicais.
É importante ir preparado para uma cidade onde nem tudo funciona de forma previsível.
Levar dinheiro suficiente, aceitar alguma lentidão nos serviços e manter expectativas realistas faz parte da experiência. Havana não se “consome”; atravessa-se.

Roteiro de um dia em Havana, Cuba
Se tem apenas um dia para explorar Havana, a capital de Cuba, então tenho boas notícias para si!
É que é possível visitar todos os lugares que mencionei antes em apenas 24 horas, fazendo alguns ajustes, é claro.
Por exemplo, La Floridita merece uma visita demorada. É claro que pode chegar, pedir um daiquiri, tirar umas fotos e continuar a viagem, mas iria perder tanto… A minha sugestão é que vá lá em dias diferentes e vai perceber que os habituais do bar começam a meter conversa consigo.

Explorar a Plaza de la Catedral
A Praça da Catedral é uma das mais importantes praças de La Habana Vieja, ou centro histórico de Havana, Cuba.
A construção de maior relevo nesta praça é a Catedral de Havana, cuja construção é de 1727.
Aliás, esta zona de Havana é relevante para o barroco cubano, já que os principais edifícios são do século XVIII e respeitam este estilo arquitetónico.
É difícil imaginar, mas este lugar já foi um pântano, antes de ser drenado. Não muito longe da Praça da Catedral, está a famosa Bodeguita Del Médio.
Tomar um mojito na Bodeguita Del Medio O mojito é um cocktail à base de rum branco e hortelã e dizem que o melhor lugar para tomar esta bebida é na Bodeguita Del Medio, em Havana.
Devo dizer que apesar de não ser apreciadora desta bebida em particular, o lugar é realmente sui generis. O bar de 1942 está quase sempre cheio de gente e é difícil chegar ao balcão para pedir o mojito.
As paredes da Bodeguita Del Medio estão cheias de dedicatórias e mensagens de personalidades.
Dizem que a primeira mensagem nas paredes da Bodeguita Del Medio foi do jornalista Leandro Garcia, sendo que ainda se podem ler dedicatórias de Pablo Neruda, Salvador Allende e Ernest

Receita para preparar o mojito em casa:
Coloque no copo onde vai servir o mojito 1 dose de rum branco, sumo de uma lima, 10-12 folhas de hortelã e uma colher de sopa de açúcar.
Amasse bem o conteúdo do copo, certificando-se que a hortelã fica desfeita.
Coloque 100 ml de água com gás e gelo picado até encher o copo. Mexa a desfrute de um mojito cubano.


Experimentar um daiquiri no El Floridita
El Floritida Cuba Sabia que foi no Bar El Floridita, em Havana, Cuba, que nasceu o famoso daiquiri?
Este bar e restaurante cubano abriu em 1817, portanto já faz parte da história da cidade. Alguns aspectos interessantes deste lugar são o facto de ter sido “La cuna del daiquiri”, ou seja, o berço do daiquiri.
Com tantos anos de existência, é normal que tenha sido frequentado por várias personalidades ao longo dos anos.
Um dos clientes habituais mais famosos do El Floridita foi o escritor norte-americano Ernest Hemingway.
Aliás, há uma estátua em tamanho real do autor ao balcão do El Floridita, em jeito de homenagear daquele que muito contribuiu para promover o bar, já que ele costumava dizer “Mi mojito en La Bodeguita, mi daiquirí en El Floridita“.


Visitar o Capitólio de Havana
O Capitólio de Havana, ou Capitolio Nacional de Cuba, foi construído em 1929, tendo funcionado como a sede do governo de Cuba até 1959, quando aconteceu a Revolução Cubana.
Trata-se de um elegante edifício municipal com uma grande cúpula abobadada e um pórtico central, à semelhança do capitólio de Washington D.C., nos Estados Unidos.
Aliás, há quem diga que o arquiteto Eugenio Rayneri Piedra se inspirou no edifício norte-americano para a construção do Capitólio de Cuba.



FAQ – Perguntas frequentes sobre Havana
Sim, de forma geral, especialmente nas zonas centrais. Atenção a pequenos esquemas turísticos e abordagem insistente.
Entre 3 e 4 dias permitem conhecer a cidade com calma e contexto.
É uma boa base, mas hotéis junto ao Capitólio ou Malecón oferecem melhor equilíbrio.
Pode ser. Hotéis de gama alta e alguns serviços turísticos têm preços elevados para o contexto local.


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3 Responses
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