Conheça a história de amor proibido na origem de Fátima e Ourém

A Chave ou o Labirinto no Castelo de Ourém.
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Quem nunca quis viver uma linda história de amor? Daquelas que se contam nos livros, que nos fazem sonhar e que se perpetuam pelas gerações?

Em Fátima e Ourém há uma história destas que merece ser contada. A lenda de um amor proibido em tempos de guerra, entre um cavaleiro católico e uma princesa moura, e que serviu de mote para explorar a região.

Foi, portanto, com o olhar claramente sugestionado, que fui à descoberta de Ourém e Fátima.

Sempre à procura do mais belo e autêntico, encontrei uma vila medieval encantadora, coroada por um castelo de princesas e com um vinho único.

No Agroal, percorri os passadiços e mergulhei nas águas terapêuticas do Rio Nabão, aprisionadas numa conveniente praia fluvial e tanto frequentada por locais como turistas.

Alguns quilómetros mais à frente, foi a vez de viajar para o período Jurássico Médio no Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios e que os meus filhos, os meus amores, adoraram.

Para terminar um roteiro inspirado numa história de amor, foi a vez de me embrenhar na áurea mística de Fátima.

Dê-me, então, a mão e vamos descobrir juntos uma região fascinante! Como um casal de namorados, a quem tudo parece belo. E esteja atento pois Ourém é um caso sério de amor à primeira vista!

A Lenda da Princesa Fátima que se tornou Oureana

A Lenda da Princesa Fátima e Oureana.
A Lenda da Princesa Fátima e Oureana.

Reza a lenda que em 1158, na altura da reconquista cristã, o cavaleiro cristão Gonçalo Hermingues, fidalgo da corte de Dom Afonso Henriques e conhecido como Traga-Mouros, viu uma bela princesa no alto de uma torre para os lados de Alcácer do Sal.

Era Fátima, a filha única do emir e que estava prometida ao seu primo Abu.

Porém, nem sempre as coisas acontecem como planeado, e o cavaleiro cristão apaixonou-se pela jovem princesa muçulmana.

Por proteção e a mando de seu pai, Fátima raramente saía da torre onde vivia com as aias, mas soube-se que faria parte do cortejo da Festa das Luzes. Era a oportunidade perfeita para mudar o rumo da história.

Gonçalo Hermingues e os seus homens invadiram a festa e raptaram a princesa. Abu correu para resgatar e princesa prometida, mas pereceu no confronto com os cristãos.

Os dois apaixonados casaram-se depois de Fátima se converter ao cristianismo, adotando o nome de Oureana.

Em honra a esta história de amor, a localidade onde o casal se instalou inicialmente passou a chamar-se Fátima, o nome muçulmano da princesa, e a alguns quilómetros de distância, onde eles viveram por algum tempo, foi a vez de Oureana, o nome cristão da princesa, que evoluiu para Ourém nos dias de hoje.

Esta é apenas uma versão onde factos históricos, folclore e lendas populares se entrelaçam para dar corpo a uma história de amor nesta emocionante região do Médio Tejo.

O que visitar em Ourém

Agora que está lançado o tema desta viagem, seguem-se algumas sugestões de o que visitar em Ourém. Servem estas palavras para despertar a sua curiosidade sobre um território rico em património edificado e humano, não fossem as pessoas e as suas histórias a alma dos lugares.

Nesta viagem contei com a sabedoria da Deolinda que me mostrou o castelo, a entusiasta Inês da Ucharia do Conde e mais algumas pessoas das quais não recordo o nome, mas cuja bondade ficou gravada no meu coração.

E lembre-se que lhe ofereci a mão no início desta viagem, por isso mantenha-se por perto até ao final.

A Vila Medieval de Ourém

Vila Medieval de Ourém.
Vila Medieval de Ourém.

No alto do morro repousa tranquila a Vila Medieval de Ourém. Vista de baixo parece vazia de vida, mas fervilha de coisas interessantes para ver.

As ruas empedradas estreitas não são amigáveis para explorações de carro, por isso estaciono às portas da vila e sigo o caminho a pé.

Dou logo de caras com a imponente Igreja Matriz, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias, Igreja Colegiada de Nossa Senhora da Misericórdia ou da Visitação.

A porta principal da igreja só abre para cerimónias aos sábados e domingos, mas pode entrar pela lateral e visitar a igreja do século XVIII todos os dias.

Na cripta descansa o túmulo com fama de ser um dos mais perfeitos de sua época: o túmulo de Dom Afonso, o quarto Conde de Ourém.

Segui viagem em direção ao Castelo e Paço dos Condes de Ourém, observando os pontuais edifícios de arquitetura gótica e pombalina. Um museu a céu aberto para quem o quiser apreciar!

O magnífico castelo merece uma atenção especial, por isso a seguir vai encontrar uma secção completa dedicada a este Monumento Nacional.

Mas o que importa referir agora é que o bilhete de adulto do castelo dá direito a uma prova de Vinho Medieval ou ginjinha na Ucharia do Conde. E é por aí que vamos atalhar viagem.

A jovem Inês recebeu-me de sorriso rasgado e falou com paixão sobre a Ucharia. É um gosto ouvir as histórias dos lugares contadas por pessoas fascinadas pelo que fazem.

Entre outras curiosidades, fiquei a saber que ucharia é uma palavra medieval e que significa despensa.

Aliás, até ao terramoto de 1755 que quase destruiu o edifício, funcionou no local uma prisão e depois foi utilizado como despensa, daí a escolha do nome ucharia.

Também falámos sobre as particularidades do Vinho Medieval, afinal foi a prova deste néctar histórico que me levou à Ucharia do Conde.

Ucharia do Conde.
Ucharia do Conde.

É um vinho com mais de 800 anos de história, com origem nos monges da Ordem de Cister e cujas videiras crescem nas encostas do castelo.

A mistura castas de uvas brancas e uvas tintas é característica desta região e o vinho deve beber-se fresco.

Em alternativa ao Vinho Medieval, pode escolher provar a doce ginjinha de Ourém, mas devo dizer que preferi a frescura do primeiro.

Na Ucharia do Conde fazem-se provas de vinho com produtos regionais (queijos, enchidos e azeite), se bem que eu me fiquei por uns deliciosos biscoitos de limão artesanais.

Para levar para casa escolha entre o mel, doces e outras iguarias locais e vai certamente bem-servido.

Antes de regressar ao carro ainda passei mais algum tempo a explorar as ruas da Vila Medieval de Ourém.

Dica: a Rota da Vila de Ourém é um percurso sugerido com a extensão de 4 km e com uma duração mínima de 90 minutos. Começa na Porta da Vila, continua pela Igreja Matriz, Fonte Gótica, Pelourinho junto à antiga Câmara Municipal, Terreiro de São Tiago, Castelo e Paço do Conde, e termina na Capela de Nossa Senhora da Conceição.

O Castelo e Paço dos Condes de Ourém

O Castelo e Paço dos Condes de Ourém.
O Castelo e Paço dos Condes de Ourém.

Visitar o Castelo e o Paço dos Condes de Ourém é fazer uma viagem no tempo até ao século XII. E que viagem!

Para aproveitar ao máximo a experiência, nada melhor do que fazer-se acompanhar por quem conhece as histórias do castelo e sente orgulho em partilhá-las.

Tive por companhia a Deolinda, que me explicou a mim e aos meus filhos como está organizado e o que ver em cada secção do Castelo de Ourém. Sem as suas preciosas informações, a visita não seria tão rica, por isso recomendo que faça a visita guiada ao castelo.

Começámos pelo Paço dos Condes, a residência de Dom Afonso e onde estão a bilheteira, o auditório e uma exposição, seguindo-se as restantes zonas do castelo.

É muito interessante ver o antes e depois das obras de limpeza e restauro do Castelo de Ourém, que estão imortalizadas em fotografias na exposição.

Em seguida fomos para o castelo do século XII para vermos um filme sobre as origens da região, e onde é explicada a lenda da Princesa Fátima, entre outros acontecimentos históricos.

O filme está muito bem conseguido, tanto que os miúdos ficaram agarrados a ver até ao fim.

Foi uma introdução excelente para o que ainda faltava ver: a cisterna, as torres do castelo, o Terreiro de Santiago com a escultura de Dom Nunes Álvares Pereira (o terceiro Conde de Ourém), o labirinto, a ponte, o torreão onde estavam os guardas, a porta da traição e o anfiteatro.

Ao longo da visita a Deolinda contou-nos várias lendas ligadas ao castelo e aos usos e costumes de época, como a história do buraco dos sete cornos, os mata-cães e a lenda da Princesa Fátima que foi o mote desta viagem.

A Praia Fluvial do Agroal

Praia Fluvial do Agroal.
Praia Fluvial do Agroal.

Já deixou de ser um dos segredos mais bem guardados da região, pois são muitos os turistas que no verão seguem em direção à Praia Fluvial do Agroal.

Existem várias razões para este fenómeno, mas eu diria que a beleza do local deve ser a mais relevante.

Os lugares de estacionamento esgotam rapidamente nos dias quentes de verão, por isso vá cedo para aproveitar da melhor forma os banhos na Praia Fluvial do Agroal.

Dizem que as águas do Rio Nabão são medicinais, com benefícios terapêuticos em doenças de pele e gastrointestinais. Talvez por essa razão as pessoas teimam em ficar dentro do precioso líquido por longos períodos de tempo.

Eu percebo que é difícil sair da praia fluvial! Passado o primeiro impacto da água fria, o corpo habitua-se à suave massagem da corrente e o olhar regala-se com o imenso cenário verdejante.

É como que se o tempo corresse mais devagar e o batimento cardíaco dos veraneantes desacelerasse para ficar em equilíbrio com o fluir do rio. Portanto, é um excelente exercício de amor-próprio.

Deve ser isto que acontece quando Homem e Natureza estão em harmonia plena.

Passadiços do Agroal.
Passadiços do Agroal.

Para os amantes de caminhadas, a minha sugestão é que deixe o carro estacionado junto ao Parque Natureza e percorra os Passadiços do Agroal até à praia fluvial.

Além de ter a vantagem de existirem mais lugares de estacionamento, faz exercício físico enquanto percorre um trilho que atravessa uma zona de natureza muito interessante.

O Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios (ou Dinossauros)

Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios.
Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios.

A visita ao Monumento Natural das Pegadas dos Dinossauros na Serra de Aire começa com um vídeo explicativo sobre a região na altura do Jurássico Médio, e mostra como provavelmente surgiram as pegadas nas rochas.

Depois é altura de explorar o museu interativo, com informações sobre os dinossauros e só no final é que podemos ir para o terreno ver as famosas pegadas.

É difícil não me deixar levar pela imaginação enquanto caminho junto às marcas deixadas no Monumento Natural das Pegadas de Dinossauros.

Aliás, não fui só eu! Os meus filhos construíram elaborados enredos de filmes protagonizados pelos saurópodes e que terminavam invariavelmente no trilho de pegadas. Veja bem, algumas pegadas têm um metro de diâmetro, o que atesta a grandeza destes animais.

Sentimo-nos pequenos perante a imagem destes gigantes e frágeis quando confrontados com a rudeza da pedreira. Nada que um abraço apertado não resolva.

Fátima, o seu Santuário e a Basílica da Santíssima Trindade

Santuário de Fátima.
Santuário de Fátima.

É na cidade de Fátima que se encontra e o maior Santuário de culto mariano da Europa, mas quem não é católico tem motivos para incluir este lugar no seu roteiro?

Eu diria que sim, pois o encanto de Fátima vai além da grandiosidade do santuário, da basílica e da história dos pastorinhos.

Aliás, acredito que é a forma ideal de terminar esta viagem apaixonante pela região.

É a porta de entrada para milhões de turistas e peregrinos por ano e, pessoalmente, emociono-me sempre perante as manifestações de fé em Fátima.

Fico a imaginar as provações pelas quais passaram os peregrinos que pagam promessas de joelhos, de cabeça baixa e enquanto rezam o terço.

Benzem-se quando passam a Capelinha das Aparições e abrandam quando alcançam a sombra reconfortante da azinheira onde terá aparecido a Virgem Maria.

A alguns metros de distância, no Tocheiro das Velas, a cera arde de forma ininterrupta em direção aos céus, na esperança de levar consigo as preces a quem de direito.

Os semblantes fechados e olhos lacrimejantes intoxicados pelo fumo dos peregrinos resultaram na criação de um quadro imaginário na minha mente, que me acompanha ainda hoje.

Desespero ou prova de amor, é impossível ficar indiferente ao que acontece nesta enigmática cidade.

Alojamento em Ourém e Fátima

Hotel em Fátima.
Hotel em Fátima.

Como nem só de amor e paixão vive o Homem, quero ajudá-lo na altura de pensar em coisas mais mundanas, como onde ficar a dormir em Ourém e Fátima.

Ora, para visitar as duas cidades sem ser a correr, é boa ideia ficar a dormir por lá pelo menos um par de noites e a boa notícia é que tem diferentes tipos de alojamento por onde escolher.

Desde hotéis de quatro estrelas a pequenas pensões familiares, passando por apartamentos com localização central e alojamentos locais, não falta onde dormir na região.

Em todo o cado, se prefere locais com menos confusão, a minha sugestão é que fique em Ourém, mas tenha em mente que existem menos hotéis nesta cidade.

Em contrapartida, em Fátima há de tudo um pouco e para todas as bolsas. Eu fiquei no Dona Amélia Hotel by RIDAN Hotels, a 10 minutos do Santuário de Fátima e com um excelente pequeno-almoço.

Mas como disse, oferta hoteleira não falta, pelo que tomo a liberdade de sugerir que siga os links a seguir para escolher um hotel adequado às suas necessidades.

Hotéis em Ourém e Hotéis em Fátima

Restaurantes e onde comer em Ourém e Fátima

Restaurante O Pereira em Fátima.
Restaurante O Pereira em Fátima.

Dizem que os apaixonados costumam ter mais apetite, e para recuperar energia entre passeios a pé, nada melhor do que fazer pausas estratégias na altura das refeições.

Nos dias que passei no concelho de Ourém tive oportunidade de experimentar diferentes sabores, mas dois restaurantes sobressaíram dos demais.

Por um lado, brilhou a cozinha tradicional Portuguesa no Restaurante O Pereira, com sabores apurados e aromas a lembrar a comida na casa da avó.

Já no Enigma os hambúrgueres são reis e senhores! E antes que torça o nariz por estar a recomendar um restaurante deste género em Fátima, devo dizer que os hambúrgueres do Enigma são completamente fora da caixa.

As cervejas artesanais têm fama nesta casa, mas devo dizer que o que me impressionou mais foi mesmo a combinação de sabores inusitados dos hambúrgueres.

Como chegar a Ourém e Fátima

Castelo e Paço dos Condes de Ourém.
Castelo e Paço dos Condes de Ourém.

O Município de Ourém pertence ao distrito de Santarém, ou seja, na região Centro de Portugal.

Saindo do Porto, siga pela A1 ou pela A1 e A13 e conte com uma viagem de cerca de 2h. Já se sair de Lisboa, vá pela A1 em direção a Norte e conte com uma viagem de mais ou menos 1h30.

Por seu lado, a cidade de Ourém fica a cerca de 10 km de Fátima, o que se faz em alguns minutos.

Se não tiver carro próprio e não quiser alugar carro, então a rede Expressos e a Flixbus são uma boa opção, pois têm autocarros diários entre Porto/Lisboa e Fátima.

Boa viagem e seja muito feliz em Ourém!


*artigo escrito por Mónica Rodrigues Alves.

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