Atualizado em: Março 20, 2025
Aqui tem as melhores sugestões de o que fazer e visitar em São Jorge, uma das nove ilhas da Região Autónoma dos Açores, localizada no meio do oceano Atlântico.
Tem uma paisagem vulcânica e agreste, com tanto de belo como de mágico. É como se uma porção de terra com cerca de 245 km² tivesse sido cuidadosamente esculpida para formar um pequeno paraíso, onde a linha costeira recortada se destaca pelas inúmeras fajãs.
Não é por acaso que São Jorge é conhecida como a Ilha das Fajãs, pois a quantidade impressionante destas formações geológicas torna-a única no mundo.
Também lhe chamam a “Ilha do Dragão Adormecido”, por causa do formato alongado e com picos, numa alusão a São Jorge, que na mitologia venceu o dragão.
O Pico da Esperança, com 1053 metros, é o ponto mais alto da ilha, mas nem sempre se deixa ver, envolto em nevoeiro.
Histórias e mitos à parte, é um território surpreendente! É impossível não falar em Queijo de São Jorge (DOP), um dos queijos mais famosos de Portugal.
A ilha tem também um forte património ligado ao mar, incluindo a construção de barcos e a pesca, especialmente o atum.
Há muito que os baleeiros deram lugar a tranquilos passeios de barco para observação de baleias e golfinhos nas agitadas águas do Atlântico, que os turistas adoram e os donos das embarcações agradecem o rendimento extra.
Por fim, São Jorge é autêntica, os habitantes locais oferecem uma calorosa recepção aos vistantes, e, como referi no início, tem todos os igredientes para uma viagem inesquecível!








O que fazer e visitar em São Jorge, Açores
Visitar a fábrica de Queijo São Jorge
É impossível falar de São Jorge e não referir aquele é que, provavelmente, o produto mais famoso: Queijo São Jorge DOP.
Portanto, a minha sugestão é que faça uma visita à fábrica de queijo, que é seguida de uma prova. Vale mesmo a pena, acredite.
👉Veja o que esperar de uma visita à Fabrica de Queijo.




Descobrir o centro de Velas
Visitar o centro da vila de Vela é uma excente forma de continuar a descobrir a Ilha de São Jorge, pois tem uma combinação única de património histórico, cultural e natural.
Aqui ficam as minhas principais recomendações de atrações turísticas em Velas.

A Igreja Matriz de Velas tem como santo padroeiro São Jorge.
Documentos indicam que a construção da atual igreja começou em 1664, mas foi sendo alterada com o passar dos séculos.

Os claustros e arcadas do antigo Convento de Nossa Senhora do Rosário em Velas, são o que resta de um edifício construído entre 1686 e 1696, e que tinha como finalidade a educação das filhas das principais famílias locais.

O Arquivo Histórico Municipal João Gabriel de Ávila tem como missão a preservação e divulgação da história local e guarda uma coleção de documentos raros, que mostram São Jorge nos últimos 500 anos.

No Centro de Apoio ao Artesanato de São Jorge vai encontrar têxteis, cerâmicas, produtos alimentares e outros presentes para levar para casa.

O antigo Forte da Conceição foi requalificado e integrado no Auditório Municipal, mas ainda se podem ver as guaritas.

O Jardim da República tem um segredo: um coreto cujas cores brilhantes contrastam com a paisagem.

Na Casa Museu Cunha da Silveira poderá ver peças do quotidiano local, pelo que sugiro que reserve um par de horas para explorar estas salas.

Descobrir as fajãs de São Jorge
As fajãs são pequenas planícies costeiras formadas por lava ou deslizamentos de terra. Resultam de processos naturais, como por exemplo deslizamentos de terra, derrocadas ou fluxos de lava, formando áreas planas junto ao mar.
São especiais porque têm paisagens fora do normal, com vistas dramáticas sobre o oceano em contraste com formações rochosas imponentes. Também são locais ideais para caminhadas, observação de aves e ver a natureza intocada.
Além disso, cas fajãs ostumam ter terrenos muito férteis, bem como têm as condições ideais para a criação de microclimas que permitem, por exemplo, a produção de café e outras plantas exóticas como mangas e abacates.
Mas quantas fajãs existem em São Jorge? Bem, estão identificadas mais de setenta fajãs em São Jorge, o que é inédito. A título de curiosidade, também existem fajãs na Ilha da Madeira e nas Canárias, mas nem de longe nem de perto é num número tão substancial.
Como deve imaginar, seria muito difícil visitar todas as fajãs em São Jorge, quem sabe nas próximas viagens consigo explorar mais algumas.
No entanto, para já, posso falar-lhe das fajãs que vi: Fajã do Ouvidor, Fajã dos Cubres, Fajã da Caldeira Santo Cristo, Fajã de João Dias, e, por fim a Fajã dos Vimes.


Fajã do Ouvidor
A Fajã do Ouvidor é uma das maiores fajãs da ilha de São Jorge e fica na freguesia do Norte Grande, no concelho das Velas, ou seja, na costa norte da Ilha.
Esta formação geológica resultou de fluxos lávicos emitidos pelo Pico Areeiro, situado a cerca de 3 km de distância, há aproximadamente 2.530 anos.
Em termos de acessibilidade, é possível visitar a Fajã do Ouvidor de carro, ou seja, por uma estrada em boas condições.
Se quiser explorar a Fajã do Ouvidor com calma, recomendo a Ermida de Nossa Senhora das Dores, de 1903, onde acontece a festa em honra de Nossa Senhora das Dores no terceiro domingo de setembro, bem como a Furna do Lobo, com cerca de 50 metros de comprimento e apenas acessível de barco.
Espreite também as cascatas, o porto de pesca e a Poça de Simão Dias, uma piscina natural de águas cristalinas, apesar de no dia em que a visitei, praticamente não ser visível por causa do mar agitado.






Fajã dos Cubres
A Fajã dos Cubres também fica na costa norte e é uma das formações geológicas mais notáveis da ilha de São Jorge, nos Açores.
Assim, a principal nota distintiva é a presença de uma lagoa costeira de água salgada, que nos dias de sol espelha as águas cristalinas do oceano.
Infelizmente, nos dias que visitei, apanhei algumas nuvens e não consegui registar os diferentes tons de azul, tão característicos da Fajã dos Cubres. Portanto, acho que tenho de regressar um dia destes!
Em termos geológicos, esta fajã resulta da acumulação de detritos resultante do desabamento das falésias adjacentes e há uma estrada asfaltada para lá chegar a partir da aldeia de Norte Pequeno.

Fajã da Caldeira de Santo Cristo
A Fajã da Caldeira de Santo Cristo, na freguesia da Ribeira Seca, ou seja, no concelho da Calheta, é uma das mais emblemáticas formações geológicas de São Jorge, nos Açores.
E o que distingue a Fajã da Caldeira de Santo Cristo? Bem, em primeiro lugar, a existência de uma lagoa de água salgada, o que é bastante raro no arquipélago açoriano.
Depois, porque é o único lugar em São Jorge onde se cultivam amêijoas. E por causa das condições favoráveis do mar, esta fajã é um santuário para surfistas, pois atrai praticantes de todo o mundo.
Além disso, a Fajã de Santo Cristo é apenas acessível por trilhos que partem de Serra do Topo ou de Fajã dos Cubres.
Ou seja, a pé, sendo que o percurso entre Fajã dos Cubres e Fajã da Caldeira de Santo Cristo é considerado um dos mais bonitos de São Jorge.

Fajã de João Dias
A Fajã de João Dias é uma pequena comunidade com cerca de 17 casas tradicionais açoreanas, na costa norte da ilha de São Jorge. Faz parte da freguesia dos Rosais, ou seja, no concelho das Velas.
O facto de ter sofrido com o isolamento ao longo do tempo, fez que com hoje se tornasse num dos melhores lugares em São Jorge para uma experiência autêntica da vida rural açoriana.
Para chegar à Fajã de João Dias terá de percorrer um trilho estreito e íngreme em terra batida.
Este trilho começa junto ao Baloiço Fajã de João Dias e partir daí é sempre a descer.




Fajã dos Vimes
A Fajã dos Vimes é outra pequena comunidade na costa sul da ilha de São Jorge, e que tem um dos segredos mais bem guardados de São Jorge: a plantação de café.
Pertence à freguesia da Ribeira Seca, ou seja, no concelho da Calheta e para lá chegar pode ir de carro.
Dizem que a Fajã dos Vimes é a única região da Europa onde se cultiva café, sendo que os visitantes podem experimentar o café artesanal no Café Nunes e visitar a plantação nas traseiras do café.
Além disso, a arte da tecelagem em teares manuais de madeira, praticada desde o século XVI, é uma tradição viva na fajã.
É um dos melhores lugares em São Jorge para ver (e comprar) as tradicionais Colchas de Ponto Alto.





Subir à Vigia da Baleia
O Miradouro da Vigia da Baleia, fica na Fajã da Ribeira da Areia, ou seja, no concelho de Velas, e é um dos pontos panorâmicos mais impressionantes de São Jorge.
O nome “Vigia da Baleia” resulta do facto de o local ter sido usado antigamente para avistar as baleias no mar e indicar a respetiva locaização dos cetáceos aos baleeiros.
Para lá chegar é necessário percorrer um caminho íngreme e com degraus improvisados, mas acredit que vale muito a pena.
Isto porque de lá pode ver a Fajã da Ribeira da Areia, que é uma das fajãs mais selvagens e menos habitadas da ilha.
Além disso, em dias claros, consegue ver as outras ilhas do Grupo Central dos Açores (o Pico e a Graciosa).



Ver o Farol dos Rosais
O Farol dos Rosais é um dos locais mais históricos e emblemáticos de São Jorge.
Fica na ponta noroeste, ou seja, na freguesia dos Rosais, foi inaugurado em 1958 e durante anos, desempenhou um papel fundamental na navegação.
No entanto, foi abandonado em 1980, quando um forte sismo danificou de forma irrecuperável a estrutura.
Neste momento está em ruínas, no entanto, não pedeu o encanto. E apesar da entrada proibida, por razões de segurança. muitos visitantes continuam a percorrer a estrada até ao fim da linha no Farol dos Rosais.




Visitar a Igreja de Santa Bárbara (Monumento Nacional)
A Igreja de Santa Bárbara fica na freguesia das Manadas, isto é, concelho de Velas, e é um notável exemplar do estilo barroco. Aliás, é Monumento Nacional desde 1950.
A construção em 1770 aconteceu em substituição de uma igreja anterior ao século XV e mais incrível é que se manteve quase sem alterações deste essa altura.
O exterior é simples, mas quando se entra na igreja é difícil não ficar maravilhado com os detalhes arquitectónicos.
Veja o teto de alfarge em cedro local, com representações de São Jorge e do Espírito Santo nos medalhões centrais, vários painéis de azulejos com cenas da vida de Santa Bárbara e altares dedicados a Santo Inácio e São Francisco Xavier, só para referir alguns pontos de interesse.





Explorar a Reserva Florestal de Recreio da Silveira
A Reserva Florestal de Recreio da Silveira é um parque natural na freguesia da Ribeira Seca, ou seja, no concelho da Calheta.
Ocupa uma área de mais ou menos 10 hectares e eu, apesar de ter dedicado algum tempo a explorar o parque, gostaria de ter ficado mais tempo.
É que há muito para ver nesta parte de São Jorge.
Assim, em termos de árvores e plantas, conte em ver araucárias, pinheiros, tulipeiros, carvalhos, ciprestes, plátanos e fetos arbóreo.
Além disso, os moinhos de água, ou antigas azenhas, com pedras de bassto escuras e portas vermelhas, destacam-se na paisagem.







Ver o Ilhéu do Topo
O Ilhéu do Topo é um pequeno ilhéu desabitado a mais ou menos de 100 metros da costa.
Trata-se de um santuário para diversas espécies de aves marinhas, bem como local de pastagens de vacas e cabras.
Além do Ilhéu do Topo, recomendo que dedique algum tempo a explorar a região, como por exemplo o Farol do Topo de 1927, a Igreja de São João Baptista do século XVIII e a Piscina Natural da Pontinha do Topo.
Embora não esteja diretamente no Topo, pode fazer o trilho até à Fajã da Caldeira de Santo Cristo partindo desta zona.
Por fim, se visitar o Topo no mês de junho, poderá participar nas festas em honra de São João Baptista, que é o padroeiro da freguesia.




Visitar a única plantação de café na Europa
Já falei antes neste artigo na Fajã dos Vimes, mas a existência de uma plantação de café em São Jorge, Açores, é tão inusitada, que sinto necessidade de voltar a este tema.
Então, esta rara plantação de café na Europa, é gerida pela família Nunes, e não só pode provar o café local, como espreitar os cafeeiros que ficam nas traseiras do café Nunes.
👉Quer saber mais sobre este estranho fenómeno? Leia o artigo Café nos Açores? Sim, existe e cresce na Fajã dos Vimes!






Alojamento em São Jorge
Eu fiquei na Quinta da Magnólia, em Urzelina, e recomendo!
Trata-se de um hotel boutique, com o tamanho perfeito para estadia diferenciada. Aliás, a proposta é ter uma experiência numa casa açoriana.
Da minha parte devo dizer que achei os quartos muito confortáveis, o pequeno-almoço que está sempre incluído era delicioso e a piscina infinita com vista para o Vulcão do Pico e Oceano Atlântico conquistaram o meu coração.
Voltarei à Quinta da Magnólia, sem dúvida!
👉Veja quanto custa ficar a dormir na Quinta da Magnólia.









Tudo o que precisa saber antes de viajar para São Jorge, nos Açores
Quantos dias são necessários para visitar São Jorge?
Diria que numa semana consegue ver os principais lugares em São Jorge. Eu fiquei quatro dias, mas no último dia não me queria vir embora.
Portanto, recomendo que fique em São Jorge, nos Açores, pelo menos uma semana.


Há voos diretos para São Jorge?
Apenas existem voos diretos da Ilha Terceira e da Ilha de São Miguel, portanto, se viaja a partir de Lisboa, Porto, Faro ou outra cidade europeia, tem sempre de fazer pelo menos uma escala.
Eu viajei desde o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto com escala na Terceira, mas como a escala no regresso era superior a quatro horas, ainda explorei um bocadinho da Ilha Terceira.


É preciso alugar carro em São Jorge?
Sim, acredito que é necessário alugar carro em São Jorge, pois só com uma viatura própria consegue visitar os lugares que menciono neste artigo.
Em todo o caso, se não quiser alugar carro, pode sempre juntar-se a um tour ou grupo organizado, ou então fazer as viagens de táxi.
A verdade é que a ilha não é assim tão grande e para ir de uma ponta à outra de São Jorge, pode fazê-lo em menos de duas horas.
👉Precisa de carro alugado em São Jorge? Espreite aqui!

*Viajei para São Jorge a convite das Casas Açorianas – Associação de Turismo em Espaço Rural, com o patrocínio do Grupo SATA.
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