Quem visita Santo Antão costuma chegar pelos trilhos, pelos miradouros e pelas paisagens montanhosas. Mas há outra forma de compreender a ilha: através do grogue.
No Vale do Paul, uma das regiões agrícolas mais férteis de Cabo Verde, a cana-de-açúcar faz parte da paisagem e da economia local há séculos.
É aqui que se encontra o Trapiche Beth d’Kinha, um dos locais mais conhecidos para observar de perto a produção tradicional da aguardente cabo-verdiana. O grogue continua a ser um dos produtos mais emblemáticos do arquipélago, com Santo Antão a concentrar grande parte da produção nacional.
Mais do que uma simples degustação, a visita permite perceber como a agricultura, a cultura e a vida quotidiana continuam ligadas neste vale verdejante.
A visita não é uma experiência “turística” no sentido clássico. Não há encenação nem adaptações pensadas para visitantes. O que existe é produção real, em funcionamento durante a época certa, e um contacto direto com uma das tradições mais antigas de Cabo Verde.
Portanto, se procura experiências que vão além das paisagens mais fotografadas, esta é uma das paragens que merece lugar no seu roteiro por Santo Antão.
👉Dica: eu fiz este tour em Santo Antão inclui a visita ao trapiche Beth d’Kinha.

O que é o Trapiche Beth d’Kinha
O Trapiche Beth d’Kinha é uma unidade tradicional de produção de grogue, a aguardente de cana-de-açúcar típica de Cabo Verde.
Aqui, a cana cultivada nas encostas do Vale do Paul é levada para o trapiche, onde é esmagada para extrair o sumo. Esse sumo fermenta naturalmente e é depois destilado em alambiques, dando origem ao grogue.
O processo continua dependente de trabalho manual e de técnicas transmitidas ao longo de gerações.
É essa continuidade que torna a visita relevante: não se trata apenas do produto final, mas da forma como ele ainda é produzido.

O que vai encontrar no Trapiche Beth d’Kinha
A principal razão para visitar a Beth d’Kinha é poder observar um processo que permanece, em grande medida, artesanal.
Tudo começa com a cana-de-açúcar cultivada nas encostas do Vale do Paul. Depois de cortada, segue para o trapiche, onde é esmagada para extrair a calda, o sumo que serve de base ao grogue.
Esse líquido fermenta naturalmente durante vários dias antes de ser destilado em alambiques. Em muitas produções tradicionais da ilha, continua a existir uma forte dependência do trabalho manual e de métodos transmitidos entre gerações.
Mesmo para quem não é apreciador de bebidas alcoólicas, o interesse está no contexto. A visita ajuda a compreender porque razão a produção de grogue continua a ocupar um lugar tão importante na identidade cultural de Santo Antão.

Como é o processo de produção do grogue
A produção segue várias etapas simples, mas exigentes:
- Corte da cana-de-açúcar nas encostas do vale
- Extração do sumo no trapiche (moagem)
- Fermentação natural do líquido durante alguns dias
- Destilação em alambiques tradicionais
- Engarrafamento e venda local
Durante a época de produção, é possível ver várias destas fases em curso, dependendo do momento da visita.
O resultado é um destilado com forte ligação ao território, marcado pela cana cultivada em altitude e pelo clima húmido do Vale do Paul.

Quando visitar o Trapiche Beth d’Kinha
A melhor altura para visitar é durante a época da moagem da cana, normalmente entre janeiro e maio.
Nesta fase, o trapiche está em funcionamento e é possível observar o processo de produção em tempo real.
Fora deste período, a visita continua a fazer sentido do ponto de vista cultural, mas não há atividade produtiva.
Se a ideia for ver o processo em funcionamento, o planeamento da viagem deve ter isto em conta.

Vale a pena visitar mesmo sem interesse no grogue?
Sim.
Mesmo para quem não consome bebidas alcoólicas, a visita ao trapiche ajuda a perceber melhor o Vale do Paul enquanto território agrícola.
A experiência está mais ligada ao contexto do que ao produto final: a relação entre a cana-de-açúcar, o relevo, o clima e a forma como as comunidades locais vivem e trabalham a terra.

Como chegar ao Trapiche Beth d’Kinha
O trapiche localiza-se em Eito, no Vale do Paul, uma das zonas mais verdes de Santo Antão.
A partir de Porto Novo, o acesso faz-se por transporte coletivo (aluguer) ou táxi até ao Paul. Depois, é possível continuar até Eito e seguir a pé até ao local.
Para quem está alojado na região, a visita pode ser facilmente integrada num dia de exploração do vale, combinando com trilhos pedestres, aldeias agrícolas e miradouros.
👉 Dica: este tour em Santo Antão inclui também a visita ao Trapiche Beth d’Kinha

Porque esta visita faz sentido num roteiro por Santo Antão
O Trapiche Beth d’Kinha não é uma atração isolada. Faz parte da paisagem cultural do Vale do Paul.
Incluí-lo num roteiro por Santo Antão ajuda a equilibrar a experiência da ilha: não apenas caminhadas e paisagens, mas também contacto com práticas agrícolas e tradições locais que continuam ativas.
É uma visita curta, mas que acrescenta contexto ao que se vê em toda a região.

Perguntas frequentes sobre o Trapiche Beth d’Kinha
É um local tradicional de produção de grogue no Vale do Paul, em Santo Antão, onde ainda se utilizam métodos artesanais.
Não. A produção decorre sobretudo entre janeiro e maio, durante a época da moagem da cana.
Sim, mas a experiência é diferente porque o alambique não está em funcionamento.
Sim, normalmente existe venda direta ao produtor, o que permite conhecer o produto e apoiar a economia local.
Sim. É até uma das formas mais interessantes de a visitar, já que muitos trilhos passam por zonas agrícolas próximas.
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