Atualizado em: Novembro 19, 2025
Quer saber quais templos visitar em Quioto? Entre milhares de templos e santuários espalhados pela antiga capital imperial do Japão, é fácil sentir-se perdido.
Assim, neste guia, explico quais são os mais importantes, os mais bonitos e aqueles que realmente valem a pena incluir no roteiro, quer seja a primeira visita a Quioto ou um regresso à cidade dos mil templos.
Visitar Quioto é como abrir um livro vivo da espiritualidade japonesa. Com centenas de templos e santuários espalhados pela cidade, é impossível ver tudo numa só viagem, e digo-o por experiência própria, que não consegui visitar todos os que tinha na lista.
Portanto, aqui partilho os templos e santuários que visitei pessoalmente, além de outros locais imperdíveis que merecem entrar no roteiro de quem quer compreender a alma da antiga capital do Japão.
No entanto, como os templos estão espalhados por diferentes zonas, planear o itinerário faz toda a diferença. Em Higashiyama, descobri alguns dos mais icónicos, como o Kiyomizu-dera, o Chion-in e o Eikan-dō, e adorei passear pelas ruas antigas de Gion, onde o tempo parece abrandar.
No norte de Quioto, pode visitar no mesmo dia os templos Kinkaku-ji, Ryoan-ji e Ginkaku-ji, com recurso ao eficiente transporte público japonês. Já em Arashiyama, a oeste, o Tenryu-ji, o famoso bosque de bambu e a ponte Togetsukyo mostram um lado mais natural e contemplativo da cidade.
Com um bom planeamento e ritmo tranquilo, é possível visitar três ou quatro templos por dia, combinando locais famosos com recantos mais silenciosos. O segredo? Não ter pressa, pois Quioto revela-se a quem sabe desacelerar.
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Templos em Quioto (que visitei)
Sanjūsangen-dō
O Sanjūsangen-dō é um dos templos mais surpeendentes que visitei em Quioto, aliás, este local surpreende até quem já conhece bem a arquitetura religiosa japonesa.
O nome significa “templo dos 33 espaços entre colunas”, referência à estrutura do edifício principal, que mede cerca de 120 metros, isto é, a maior construção de madeira do Japão.
No interior, encontram-se 1001 estátuas douradas de Kannon, a deusa da misericórdia, alinhadas com precisão ao longo do vasto salão. O conjunto cria um efeito visual hipnótico, marcado por uma sensação de ordem, serenidade e harmonia espiritual que dificilmente se esquece.
O templo também tem importância histórica, pois foi palco de antigas competições de arco e flecha durante o período Edo, que atraíam arqueiros de todo o país. Atualmente, a visita é feita em silêncio e não é permitido fotografar no interior, o que reforça o ambiente de respeito e contemplação.
Localizado a cerca de 15 minutos a pé da Estação de Quioto, o Sanjūsangen-dō é de fácil acesso e pode ser incluído no início de um roteiro pela cidade, oferecendo uma introdução marcante à espiritualidade e à arte budista japonesa.
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Fushimi Inari Taisha
O Fushimi Inari Taisha é provavelmente o santuário mais conhecido do Japão, famoso pelos milhares de torii vermelhos que formam túneis a perder de vista.
Está dedicado a Inari, a divindade do arroz e da prosperidade, e as pequenas raposas que se encontram por todo o recinto são consideradas mensageiras da deusa.
A subida até ao topo do monte Inari demora cerca de duas horas, mas é possível fazer apenas parte do percurso e regressar pelo mesmo caminho.
A melhor altura para visitar é de manhã cedo, antes das multidões chegarem.
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O local é gratuito e está aberto 24 horas por dia, o que permite visitá-lo com calma.
Além dos torii, vale a pena explorar os pequenos santuários secundários ao longo do caminho, onde os japoneses deixam oferendas e amuletos.
O Fushimi Inari Taisha tem estação própria na linha JR Nara, a apenas cinco minutos da Estação de Quioto.



Santuário de Yasaka (Gion Shrine)
O Santuário de Yasaka, também conhecido como Gion Shrine, é um dos santuários mais emblemáticos de Quioto, situado no famoso bairro de Gion.
Dedicado às divindades da saúde, proteção e prosperidade, é especialmente conhecido pelo festival Gion Matsuri, que acontece em julho e atrai visitantes de todo o Japão.
Durante o ano, pequenas lanternas e amuletos enchem o recinto, criando uma atmosfera única de devoção e tradição.
O santuário é ideal para uma visita tranquila a qualquer hora do dia, com entrada gratuita. Os caminhos que levam ao santuário principal estão rodeados de pequenas estruturas e oferendas deixadas pelos visitantes, tornando o passeio ainda mais interessante.
Apesar de poder ser explorado rapidamente, vale a pena dedicar algum tempo a observar os detalhes do templo, como as lanternas de pedra e as esculturas decorativas, que refletem a história e a cultura local.
O Yasaka Shrine está a poucos minutos a pé da estação Gion-Shijo e é facilmente acessível a partir de várias zonas centrais de Quioto, tornando-o uma paragem obrigatória para quem visita a cidade.
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Chion-in Temple
O Chion-in Temple é um dos maiores templos budistas de Quioto e a sede da escola Jodo, conhecida pela devoção à figura de Amida Buddha.
Assim, na entrada principal pode ver o imponente portão de madeira Sanmon, considerado o maior do Japão, que já impressiona mesmo antes de entrar no recinto.
Além disso, dentro do templo, encontram-se vários salões históricos, jardins cuidadosamente cuidados e detalhes arquitetónicos que refletem séculos de tradição budista.
Um dos pontos mais emblemáticos é o grande sino, tocado numa cerimónia tradicional durante a passagem de ano, cujo som ecoa por toda a área e é auspicioso.
O recinto é extenso e a visita inclui percorrer escadas íngremes que conduzem a diferentes zonas do templo. A subida inclui vistas panorâmicas sobre a região de Higashiyama.
O Chion-in é gratuito, embora algumas áreas especiais, como salões internos ou exposições temporárias, exijam bilhete de entrada.
A localização é excelente, próximo ao Parque Maruyama, permitindo combinar a visita com o Santuário de Yasaka e um passeio pelas ruas antigas de Gion, tornando o itinerário ainda mais completo e cultural.
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Nishiki Tenmangu Shrine
O Nishiki Tenmangu Shrine fica quase escondido no final do Mercado Nishiki e é um pequeno santuário xintoísta que surpreende quem o encontra por acaso.
Está dedicado a Sugawara no Michizane, o deus da sabedoria e da aprendizagem, sendo, por isso, muito visitado por estudantes antes de exames.
O ambiente é curioso porque entre as bancas de comida e lojas de recordações, ergue-se um espaço sagrado, com lanternas penduradas.
Portanto, é uma boa paragem para quem visita o mercado e quer fazer uma pequena pausa longe da agitação.
A entrada é gratuita e a visita demora poucos minutos, mas vale a pena observar os detalhes, como a fonte de purificação e os ema, pequenas tábuas onde os visitantes deixam desejos.



Yasui Kompiragū Shrine
O Yasui Kompiragū Shrine é um dos santuários mais originais de Quioto, por causa da “pedra dos laços”, ou enkiri/enmusubi-ishi.
Os visitantes passam por um buraco na pedra para cortar relações negativas e reforçar as boas conexões da vida. É um ritual curioso e muito popular entre os japoneses.
O santuário fica na zona de Gion, e é fácil incluí-lo num passeio pelas ruas tradicionais de Higashiyama. Apesar de ser pequeno, o espaço tem uma energia especial e oferece um vislumbre da espiritualidade quotidiana japonesa.
É também um ótimo exemplo de como os templos e santuários coexistem no centro histórico de Quioto, muitas vezes escondidos entre casas e lojas.




Kiyomizu-dera
Situado numa colina com vista sobre Quioto, o Kiyomizu-dera é um dos templos mais visitados da cidade.
A entrada faz-se pelo Nio-mon Gate, o imponente portão vermelho que simboliza a passagem do mundo profano para o sagrado. É guardado por duas estátuas de guerreiros que protegem o templo dos maus espíritos.
Logo a seguir, encontra-se o Tamurado, o pequeno santuário onde se acredita que viveu o monge fundador do Kiyomizu-dera. É um local de grande devoção e costuma ser o primeiro ponto de paragem dos visitantes.
Mais adiante ergue-se a Sanjunoto Pagoda, uma elegante estrutura de três andares, uma das mais altas do Japão. A sua cor vermelha destaca-se entre o verde da montanha e é um dos locais mais fotografados do complexo.



Nas proximidades está também o Shoro (Bell Tower), a torre do sino usada em cerimónias budistas importantes.
O som do sino ecoa por todo o vale e é considerado um símbolo de purificação espiritual.

A famosa varanda de madeira do templo, construída sem pregos, oferece uma vista impressionante sobre Quioto, especialmente durante o pôr do sol.

O nome Kiyomizu-dera significa “templo da água pura”, e as três fontes no santuário inferior representam longevidade, sucesso e amor.
A visita é especialmente bonita na primavera e no outono, quando as árvores em redor mudam de cor.
O templo fica no topo das ruelas Ninenzaka e Sannenzaka, onde pode espreitar diferentes lojas e casas tradicionais, incluindo o famoso mochi-mochi.

Tenryu-ji
O Tenryu-ji é o templo mais importante de Arashiyama e um dos meus favoritos em Quioto. É também Património Mundial da UNESCO e guarda séculos de história que vale a pena conhecer.
Fundado no século XIV, destaca-se pelo jardim zen, que mantém a estrutura original desde a sua criação.
O lago central (Sogenchi Teien) reflete as montanhas e as árvores à volta, criando uma paisagem que parece uma pintura viva. A sensação de harmonia entre o espaço construído e a natureza é simplesmente perfeita.



Passear pelos caminhos do jardim é algo que recomendo, e, além disso, o famoso bosque de bambu de Arashiyama começa mesmo ao lado, o que torna fácil combinar os dois locais no mesmo passeio.
A entrada é paga, mas vale muito a pena dedicar tempo a explorar o recinto com calma, especialmente de manhã, quando há menos visitantes.


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Outros Templos em Quioto (importantes, mas que não visitei ainda)
Embora não tenha visitado os templos em Quioto que se sehuem, vale a pena partilhar a sua importância e características, para que cada visitante decida se quer incluí-los no seu roteiro.
No final, a decisão de visitar cabe a cada pessoa, mas ter esta informação ajuda a escolher os templos que mais despertam interesse.
- O Kinkaku-ji (Pavilhão Dourado), coberto por folhas de ouro e rodeado por um lago refletor, foi originalmente a vila de descanso de um xogum e transformado em templo zen. A reconstrução atual data dos anos 50. A entrada é paga e há loja de amuletos e chá verde.
- O Ginkaku-ji (Pavilhão Prateado) representa a simplicidade e o ideal estético wabi-sabi. Apesar do nome, nunca foi revestido a prata. Destacam-se o jardim de areia branca e o monte em forma de cone, além dos caminhos com musgo e vistas sobre Quioto. Fica próximo do Caminho do Filósofo, famoso pelas flores de cerejeira na primavera.
- O Ryoan-ji é famoso pelo seu jardim zen de pedras com 15 rochas, das quais apenas 14 são visíveis de qualquer ângulo, simbolizando a imperfeição humana e a busca pela harmonia. Apesar de pequeno, transmite uma grande sensação de paz.
- Zenrin-ji (Eikan-dō): fundado no século IX e da escola Jodo, é famoso pelos jardins refletidos no lago e pela estátua do Buda Amida com o rosto virado para trás. O recinto amplo oferece belas vistas e, especialmente em novembro ao entardecer, transmite uma grande sensação de tranquilidade.
- O Tofuku-ji, fundado no século XIII e um dos cinco grandes templos zen de Quioto, está localizado a sul da cidade com acesso direto pela linha JR Nara. O jardim principal, criado por Mirei Shigemori, combina pedras, areia e geometria moderna, e a visita inclui vários recintos, com bilhete separado por zonas.

Dicas práticas para visitar templos em Quioto
A maioria dos templos abre entre as 9h00 e as 17h00 e e entrada costuma encerrar 30 minutos antes do fecho oficial, e é importante ter isso em conta para não chegar em cima da hora.
Além disso, grande parte dos templos cobra uma pequena taxa de entrada, normalmente entre 300 e 600 ienes (cerca de 2 a 4 euros), que ajuda na manutenção dos edifícios e jardins.
Os santuários xintoístas, como o Fushimi Inari Taisha ou o Nishiki Tenmangu Shrine, têm entrada gratuita, embora aceitem donativos.
Alguns templos maiores, como o Tofuku-ji ou o Tenryu-ji, cobram bilhetes separados para diferentes áreas, por exemplo, o jardim e o edifício principal, por isso convém confirmar no local o tipo de bilhete que mais compensa.
Em termos de comportamento, a etiqueta é fundamental.
Dentro dos recintos sagrados, deve-se falar em voz baixa, evitar o uso do telemóvel e respeitar as zonas onde a fotografia é proibida. Em áreas interiores, é obrigatório retirar os sapatos, por isso, convém usar calçado fácil de descalçar.
Junto à entrada, há sempre prateleiras ou sacos para os guardar. Além disso, é costume fazer uma pequena purificação antes de entrar, lavando as mãos e a boca nas fontes chamadas temizuya; há instruções no local e os visitantes são bem-vindos a participar.
Por fim, é importante lembrar que muitos templos têm lojas de recordações religiosas, onde se vendem omamori (amuletos de proteção), goshuin (carimbos de peregrinação) e ema (tábuas de desejos). São lembranças simbólicas, por isso vale a pena comprar uma para guardar como memória da visita.


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