Atualizado em: Julho 31, 2025
Aqui tem um roteiro em Saguenay-Lac-Saint-Jean para quatro dias inesquecíveis, numa road trip fora dos percursos mais conhecidos no Québec!
Já tinha ouvido falar da região de Saguenay–Lac-Saint-Jean, no Québec (Canadá), mas confesso que não fazia ideia da riqueza natural e cultural que me esperava.
Aliás, nesta roadtrip foi uma surpresa atrás da outra, começando com fiordes impressionantes, aldeias paradas no tempo e refeições com sabor a floresta.
Assim, partilho aqui o meu itinerário de quatro dias por esta região incrível do Québec, com dicas que podem ser úteis se estiver a planear algo semelhante.
Rapidamente percebi que Saguenay–Lac-Saint-Jean é um destino ainda pouco conhecido entre os viajantes portugueses, mas com um potencial imenso.
Ou seja, é indicado para quem procura um turismo mais calmo, ligado à natureza e com experiências autênticas.
Além disso, a ligação entre a cultura indígena, o património histórico e a gastronomia local torna tudo ainda mais especial.
Se a ideia é visitar o Québec e sair dos roteiros habituais, então esta região merece um lugar no seu itinerário.
Portanto, leve calçado confortável, abra espaço na mala para produtos locais e prepare-se para se deixar surpreender.
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Roteiro em Saguenay–Lac-Saint-Jean (4 dias)
Dia 1 – De Québec City até Saint-Félicien: uma viagem entre montanhas e mirtilos
A aventura começou em Québec City, onde me juntei a outros bloggers num roteiro por Saguenay-Lac-Saint-Jean organizado pelo turismo local.
Partimos rumo a norte, numa viagem de algumas horas até chegarmos à primeira grande paragem: o Zoo Sauvage de Saint-Félicien.
Visitar o Zoo Sauvage de Saint-Félicien
E se ao ler a palavra zoo torce o nariz, então fique a saber que este não é um zoológico qualquer.
Aqui, os animais que foram resgastados vivem em grandes espaços abertos, num ambiente que imita o seu habitat natural.
Assim, vi ursos, pandas, pumas, veados e até bisontes, sempre com a sensação de estar no meio da floresta boreal.


Além disso, todos os animais têm nome e carácter muitos distintos.
À medida que avançávamos no passeio e víamos os animais, a nossa guia ia contando como e quando os animais chegaram ali.




A cereja no topo do bolo foi a prova de produtos à base de mirtilo selvagem ao almoço, ou, como dizem por lá, bleuets, uma delícia local na forma de compota e chutney que trouxe para casa, mas também em forma de tarte de mirtilo.
Ah, além disso, pode almoçar no restaurante do zoo.

Conhecer o Parc de la Chute à Michel
A tarde terminou num pequeno paraíso escondido: o Parc de la Chute à Michel, onde a força da água contrasta com o silêncio da floresta.
Foi uma paragem rápida, mas perfeita para esticar as pernas e respirar fundo.
Aliás, até deu tempo para ver uma senhora a pescar uma quantidade absurda de peixes!


Jantar no Restaurante Le Baumier
Para jantar, fomos até ao Restaurante Le Baumier, onde descobri pratos inspirados nos sabores da floresta.
O cocktail da casa (Le Baumier cocktail), com gin artesanal e toranja, foi uma agradável surpresa, bem como a deliciosa tarte de mirtilo para terminar a refeição.


No entanto, as delícias culinárias não se ficaram por aqui.
Assim, a entrada de queijos e enchidos estava maravilhosa, bem como o queijo panado e tártaro de salmão que escolhi para a minha refeição.
Mas como tudo parecia delicioso, resolvi tirar fotos à comida que o restante grupo pediu, para que possa ver como tem bom aspecto!







Ficar a dormir em Village historique de Val-Jalbert
A noite foi passada no Village historique de Val-Jalbert, um antigo povoado industrial que parece ter parado no tempo em 1927.
Dormi com todo o conforto numa casa de madeira restaurada e quanto acordei nem queria acreditar no que os meus olhos viam…. uma experiência totalmente diferente de qualquer outro alojamento onde já estive.





Dia 2 – Val-Jalbert e Musée Ilnu de Mashteuiatsh: Um salto ao passado e cultura indígena
Explorar Village historique de Val-Jalbert
Depois do pequeno-almoço, fiz uma visita guiada pelo Val-Jalbert.

Entrar na antiga escola, na mercearia e até na fábrica de pasta de papel fez-me recuar no tempo.
Há algo de mágico em ver tudo preservado como se os trabalhadores tivessem simplesmente saído para o almoço e nunca mais voltado.
Assim, vi um espetáculo multimédia que conta a história de Val-Jalbert, subi pelo funicular, percorri trilhos pelo meio da floresta e quase toquei nas águas da cascata Ouiatchouan.



Além disso, o almoço foi no restaurante do moinho, um espaço com charme rústico e pratos preparados com ingredientes locais.
Tudo simples e saboroso, como se quer.

Visitar o Musée Ilnu de Mashteuiatsh e conhecer a cultura local
À tarde, tive tempo livre para explorar um pouco mais o povoado e depois algo muito especial: fui até ao Musée Ilnu de Mashteuiatsh, um museu dedicado ao povo indígena Pekuakamiulnuatsh.
Foi uma visita comovente, que me deu uma perspetiva mais profunda sobre a história e a identidade desta comunidade.
Não se trata apenas de olhar para o passado, mas de compreender uma cultura que está viva e bem presente.




No final da tarde, participei nas celebrações do Dia Nacional dos Povos Indígenas, no Site culturel Uashassihtsh.
Havia danças, atividades tradicionais e um jantar comunitário com sabores tradicionais, e que eu não estava nada à espera.
Isto porque além de salada, pão e massa, também fazia parte da ementa tortière de alce e duas carnes exóticas assadas: ganso e castor. A hospitalidade da comunidade foi impressionante.
Regressei ao Val-Jalbert de coração cheio, pois mais do que uma visita, foi um dia de aprendizagem!



Dia 3 – Parc Aventures Cap Jaseux e Auberge du Cap au Leste: Entre trilhos, fiordes e alojamento sem Wi-Fi (por opção!)
Ao terceiro dia neste roteiro Saguenay-Lac-Saint-Jean, despedi-me de Val-Jalbert e seguimos viagem até ao Parc Aventures Cap Jaseux, mais um dos locais mais bonitos da região.
Visitar o Parc Aventures Cap Jaseux
Fiz uma caminhada pelo parque, entre árvores altas e vista para o fiorde, e rapidamente percebi que este lugar é ideal para quem gosta de natureza e aventura, porque é possível fazer atividades como via ferrata, tirolesa e caiaque no fiorde.
Vi casas nas árvores, bolhas empoleiradas em árvores, cabanas e outros alojamentos inusitados que me despertaram o interesse.





Antes de almoço ainda tivemos tempo para explorar um pouco esta parte do fiorde, ou seja, na região de Cap Jaseux.





O almoço foi servido no pavilhão com vista para o fiorde do Saguenay, com pratos regionais e prova de cervejas artesanais Le Saint-Fût, microbrasserie coopérative, preparado por Aventure Rose des Vents.
Ou seja, tudo servido por pequenos produtores locais.



Dormir no Auberge du Cap au Leste
O alojamento da noite foi na Auberge du Cap au Leste, um lugar que convida ao descanso e ao silêncio.
Esta pousada fica num promontório com vista para o fiorde, e além de uma vista fabulosa, tem trilhos à porta bem como uma piscina interior e sauna.
Não há Wi-Fi nos quartos, ou seja, só na receção é que tem internet, e, curiosamente, isso soube-me bem. Isto porque acredito que há alturas em que desligar faz mesmo sentido.






Jantei no restaurante da pousada, o Rabaska, onde provei pratos inspirados na cozinha franco-canadiana. Foi uma forma tranquila de terminar o dia, com o céu a escurecer lentamente sobre o fiorde.




Dia 4 – Navegar pelo fiorde e descobrir miradouros lindíssimos
Depois do pequeno-almoço e check-out, seguimos até à Halte nautique de Sainte-Rose-du-Nord, onde embarcámos num cruzeiro pelo fiorde do Saguenay.



Fazer um cruzeiro no Fiorde do Saguenay
As falésias são impressionantes, e à medida que o barco avançava, fui percebendo porque é que esta região é tão especial.
Além disso, a equipa no barco era fantástica, pois além de nos contar alguns factos interessantes sobre o fiorde, também nos mostraram lugares que de outra forma teriam passado despercebidos.
Como por exemplo, Notre-Dame-du-Saguenay, uma estátua no topo do Cap Trinité, bem como a cascata e refúgios de segurança para pequenas embarcações.







A paragem foi em L’Anse-Saint-Jean, um pequeno lugar onde almoçámos no Bistro La Chasse-Pinte.
Almoçar no Bistro La Chasse-Pinte
A comida é simples e feita com produtos locais, peixe, pizzas, hambúrgueres, e, claro, mais cerveja artesanal.
Eu escolhi para almoçar tártaro de salmão e um cocktail de mirtilo, sendo que ambos estavam excelentes! No entanto, todos que experimentaram as cervejas disseram que estavam muito boas.




Depois do almoço, fizemos uma paragem no miradouro de L’Anse-de-Tabatière, um dos mais bonitos da região. A vista sobre o fiorde é incrível e vale mesmo a pena parar ali, nem que seja só por uns minutos.
Fazer uma caminhada no Parc national du Fjord-du-Saguenay
Seguimos para uma caminhada leve no Parc national du Fjord-du-Saguenay, na companhia de uma guia que nos conduziu pelos trilhos labirínticos.
Devo dizer que quanto mais conheço esta parte do Canadá mais convenço que este é um destino que vale a pena explorar.
Caminhar pela floresta boreal e com o som do fiorde ali ao lado são experiências únicas, que recomendo a todos os viajantes.





Dormir no Auberge des Battures
A última noite foi passada na Auberge des Battures, um hotel com vista panorâmica para o fiorde.





O jantar foi servido no restaurante do alojamento, onde tive oportunidade de experimentar tacos de camarão, um prato de massa fresca e, por fim, um crème brûlée de sobremesa.
Tudo na companhia de novos amigos e um cenário lindo com vista para o fiorde. Ou seja, diria que foi um dia perfeito neste roteiro por Saguenay-Lac-Saint-Jean.



No dia seguinte, depois de um pequeno-almoço delicioso, regressámos a Québec City.

*Visitei Saguenay-Lac-Saint-Jean numa Fam Trip organizada por Bonjour Québec e no âmbito do TBEX North America. Um agradecimento especial a Julie Harvey (Destination Québec cité) e ao Étienne T. Potvin (Tourisme Saguenay-Lac-Saint-Jean), pelo apoio nesta viagem.
Leia também:
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