Se está a planear visitar a Ilha do Pico, nos Açores, e não sabe por onde começar, o concelho da Madalena é o ponto de partida ideal para o seu roteiro.
Localizada na costa ocidental da ilha, é a principal porta de entrada para quem chega de barco a partir do Faial e uma das zonas mais dinâmicas do Pico.
Aqui, o mar, o vinho e a montanha convivem lado a lado.
As vinhas estendem-se sobre o basalto negro, a paisagem muda com a luz do dia e o vulcão do Pico parece sempre vigiar a ilha.
A Madalena é também o centro da vida cultural e económica do Pico, onde se encontram restaurantes, lojas locais e produtores de vinho que mantêm tradições com séculos de história.
Entre currais de pedra, ilhotas e vistas para o Atlântico, este concelho mostra o equilíbrio entre natureza, trabalho humano e autenticidade açoriana.
Estas são doze razões para incluir o concelho da Madalena no seu roteiro pela Ilha do Pico, e descobrir porque tantos viajantes consideram esta zona um dos lugares mais especiais dos Açores.
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12 razões para incluir o concelho da Madalena no seu roteiro pela Ilha do Pico
1. As vinhas que são Património Mundial da UNESCO
As vinhas do Pico são um cenário único no mundo. Separadas por muros de pedra basáltica, estas parcelas minúsculas de terreno — os famosos currais — protegem as videiras do vento e da maresia.
O resultado é uma paisagem marcada pelo esforço humano e reconhecida pela UNESCO desde 2004.


Na Madalena, é possível ver de perto esta herança e aprender mais sobre a viticultura local no Museu do Vinho do Pico, instalado num antigo convento.
O passeio pelos lagares tradicionais, rodeados de basalto e figueiras, é obrigatório.


2. O ponto de partida ideal para subir à montanha do Pico
Quem sonha chegar ao ponto mais alto de Portugal encontra na Madalena a base perfeita. A vila fica a poucos quilómetros do início do trilho da montanha, e há várias empresas locais que organizam a subida, de dia ou de noite.
A subida é feita sempre com um Guia Certificado da Montanha do Pico, e é obrigatório pagar a taxa de acesso à Reserva Natural do Monte Pico. Recomenda-se levar bastões de caminhada e ter um Seguro de Acidentes Pessoais, para garantir uma experiência segura.
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3. As ilhotas da Madalena e as vistas para o Faial
Os Ilhéus Deitado e Em Pé, em frente à vila da Madalena, são uma das imagens mais icónicas do Pico. Podem ser observados do porto, da marginal ou durante um passeio de barco.
E, claro, o Faial surge logo ali à frente, tão perto que parece possível atravessar a nado.
A vista é especialmente bonita ao final da tarde, quando o sol começa a baixar e a luz suaviza as cores do mar e da rocha.


4. O melhor pôr do sol do Pico (e nascer do sol)
Falar da Madalena é falar de pôr do sol. O sol a descer por trás do Faial transforma o céu num espetáculo de cores que muda a cada minuto.
Para mim, o melhor nascer do sol foi no Cais da Madalena, com o mar tranquilo à frente e a vila a acordar devagar.
Já o melhor pôr do sol encontrei nas Piscinas Naturais da Barca, mesmo em frente ao Cella Bar, onde as cores refletem nas rochas e na água.
Se puder, leve consigo uma bebida ou snack, sente-se e desfrute deste momento sem pressa, pois é daqueles instantes que ficam na memória para sempre.


5. Experiências vínicas autênticas
Se há algo que define a Ilha do Pico, são as suas vinhas e o vinho que delas nasce.
No concelho da Madalena, a Picowines – Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico é o lugar onde tradição e paixão se encontram. Fundada em 1949, reúne viticultores locais que preservam métodos ancestrais e produzem vinhos únicos, fruto de solos vulcânicos e do clima atlântico.
As vinhas crescem em currais de pedra, ou seja, pequenos muros que protegem as videiras do vento e do sal do mar. É um trabalho quase artesanal, reconhecido pela UNESCO, e que dá aos vinhos do Pico uma identidade inconfundível.
Entre os vinhos a provar destacam-se o Arinto dos Açores, fresco e mineral; o licoroso 20 Anos, envelhecido em barricas de carvalho e com notas de laranja cristalizada e amêndoas tostadas; e o tinto Gruta das Torres, perfeito para acompanhar pratos de carne. Para quem gosta de brancos elegantes, o Frei Gigante é uma escolha certeira.
Além de provar os vinhos, a Picowines oferece experiências de enoturismo que valem por si só. Pode fazer provas como o “One, Two, Terroir”, com três vinhos acompanhados de queijos regionais e pão tradicional, ou o “From Land to Sea”, que junta cinco brancos locais e blends da ilha. São momentos para sentir o sabor, a história e a cultura do Pico.
A cooperativa fica na Avenida Padre Nunes da Rosa, na Madalena, e é uma paragem obrigatória para quem quer conhecer o lado mais genuíno da ilha. Um lugar para aprender, provar e apaixonar-se pelo vinho açoriano.




6. O ambiente descontraído da vila da Madalena
Apesar de ser o centro do concelho, a vila da Madalena mantém um ambiente calmo.
É o tipo de lugar onde se cumprimenta toda a gente e onde o café na esplanada se transforma facilmente numa conversa longa.
Há bons restaurantes de peixe fresco e alojamentos com vista para a montanha e para o mar.
Ficar hospedado aqui facilita a exploração da ilha sem pressa, com tudo por perto.

7. A ligação fácil a outras ilhas do Triângulo
A localização é uma das grandes vantagens da Madalena. O porto da vila tem ligações diárias de ferry ao Faial, e em pouco mais de meia hora é possível estar na Horta.
Além disso, há ligações regulares para São Jorge, tornando a Madalena uma excelente base para explorar o chamado Triângulo Açoriano.
É fácil organizar passeios de um dia ou combinar várias ilhas no mesmo roteiro.


8. Explorar o Património cultural e religioso
A Igreja Matriz de Santa Maria Madalena fica no coração da vila da Madalena e um dos templos mais imponentes e significativos da Ilha do Pico.
Esta igreja construída no século XVII destaca-se pela fachada em pedra vulcânica negra, o que contrasta com o branco das paredes, um traço típico da arquitetura açoriana.
Além da beleza exterior, o interior surpreende pela riqueza artística. Os altares dourados e talhados em madeira, o teto em caixotões pintados e as imagens sacras antigas revelam a importância que este espaço teve, e continua a ter, para a comunidade picoense.
A igreja foi várias vezes restaurada ao longo dos séculos, resistindo a sismos e intempéries, o que a torna também um símbolo da resiliência do povo do Pico.




9. Murais e street Art
A Madalena não é só vinhas, mar e montanhas, é também um ponto de referência para a arte urbana no Pico.
Pelo centro da vila, espalham-se 18 obras de arte pública, que formam um verdadeiro roteiro de street art. Cada mural conta uma história, homenageia a cultura local ou traz cor e vida às ruas.
Durante a minha visita, explorei expressões artísticas de rua na Madalena e selecionei algumas das minhas obras preferidas.
Passear pela Madalena à procura destes murais é uma experiência que mistura descoberta, fotografia e criatividade, mostrando outro lado da ilha que muitas vezes passa despercebido.
Se gosta de arte e de descobrir detalhes escondidos, este roteiro é uma paragem obrigatória na ilha do Pico.



10. Sorrisos de Pedra
Entre o preto do basalto e o azul do mar da Madalena, a artista Helena Amaral encontrou uma forma muito especial de expressar o que sente pela sua ilha.
O projeto Sorrisos de Pedra transforma simples pedras vulcânicas em rostos que parecem ganhar vida, cada um com a sua expressão, o seu olhar e a sua história.
Helena trabalha com o que a natureza lhe dá, aproveitando as formas e texturas do basalto para revelar nelas emoções humanas. O resultado são esculturas que refletem tanto a força da natureza açoriana como a sensibilidade de quem as molda.
Existe até um Roteiro dos Sorrisos de Pedra, com localizações em diferentes pontos da Ilha do Pico. Cada escultura parece integrar-se naturalmente na paisagem, como se sempre tivesse feito parte dela.
Uma das mais surpreendentes é a “Deusa do Mar”, uma escultura submersa na Furna de Santo António, em São Roque do Pico, a cerca de 12 metros de profundidade, que é como um segredo escondido no fundo do Atlântico.
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11. Conhecer os moinhos de vento
Os moinhos da Ilha do Pico fazem parte da paisagem açoriana e contam histórias de vento, trabalho e engenho.
Estão espalhados pelos três concelhos, ou seja, Lajes do Pico, Madalena e São Roque do Pico e mostram a ligação do homem e a natureza, numa ilha onde nada se desperdiça.
Nas Lajes do Pico, os moinhos marcam presença em locais como a Ribeirinha, a Piedade ou a Calheta de Nesquim. Alguns são de madeira, giratórios, e outros fixos, em pedra vulcânica. Cada um reflete a adaptação ao terreno e ao vento, essencial para moer o cereal que alimentava as famílias picoenses.
Já em São Roque do Pico, os moinhos continuam a resistir ao tempo, desde Santa Luzia até à Prainha. Alguns preservam a estrutura original, como os de Santo António e da Ponta do Boqueirão, enquanto outros, como o maroiço de Santa Luzia, mostram vestígios do uso agrícola e comunitário do passado.

No concelho da Madalena, os moinhos surgem entre vinhas e caminhos de lava, em lugares como São Caetano, São Mateus, Candelária e Criação Velha. O Moinho do Frade, na Canada do Monte, é um dos mais conhecidos, pela vista deslumbrante sobre o mar e o Pico.
Muitos foram recuperados e hoje são símbolos do património rural da ilha.
No total, há mais de 30 moinhos registados na ilha, cada um com a sua história e localização. Muitos podem ser visitados através de roteiros locais, que ligam estes pequenos monumentos à identidade do Pico.


12. Conhecer a MiratecArts, Galeria Costa
Deixei esta para o final por uma razão muito especial: foi também o principal motivo que me trouxe ao Pico.
O Terry Costa, da MiratecArts, convidou-me para conhecer a região durante o Festival Cordas, e essa experiência transformou completamente a forma como vejo a Madalena.
A MiratecArts Galeria Costa é uma associação cultural que colocou a vila no mapa da arte contemporânea.
Durante o festival, os espetáculos musicais transformam a vila numa experiência cultural imersiva, mas ao longo do ano, é possível explorar o lado mais belo da ilha na sede da MiratecArts, em Candelária.
Eu visitei este lugar mágico, aos pés da Montanha do Pico, onde a arte se funde com a natureza através de esculturas, instalações e performances ocasionais, e posso afirmar com convição de que este é um lugar especial.
E a boa notícia é que o espaço está aberto para quem quiser conhecer. Portanto, se gosta de arte e cultura, este roteiro é uma paragem obrigatória na Madalena.



🧳 Informações práticas
Como chegar: a Madalena é acessível por barco a partir da Horta (Faial) com travessias diárias da Atlânticoline, que duram cerca de 30 minutos. Também há voos diretos para o Aeroporto do Pico, a poucos quilómetros da vila. Eu viajei do Aeroporto de Lisboa para o Pico, num voo direto da Sata Azores Airlines.
Melhor época para visitar: por norma recomenda-se viajar para o Pico entre maio e setembro, quando o clima é mais favorável, no entanto, eu visitei a ilha em outubro e correu bem. A época das vindimas, no final do verão, é especialmente interessante.
Onde ficar: a vila da Madalena tem várias opções, desde guesthouses familiares até hotéis com vista para o mar. Eu fiquei no Porto Velho Boutique Lodge, que sendo simples, é confortável e muito funcional. Portanto, recomendo!
Quantos dias reservar: idealmente, dois a três dias no concelho da Madalena para aproveitar as vinhas, o mar e o pôr do sol, mas mais tempo se quiser explorar toda a ilha do Pico com calma. Eu fiquei 5 dias, porque viajei para conhecer o Festival Cordas e aproveitei cada minuto!




*Viajei para a Ilha do Pico a convite do Terry Costa, da MiratecArts Galeria Costa, e no âmbito do Festival Cordas World Music Festival.
Leia também:
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