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[Guest Post] Caminho de Santiago|Dia 3: Redondela – Pontevedra

Este é o quarto de sete artigos de autoria de Magda Silva Veríssimo do blogue Cheia de Penas ( https://cheiadepenas.blogspot.com/).

Magda, tens a palavra!

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DIA 3: Redondela – Pontevedra

Acordei cheia de energia e mal fechei o fecho da mochila, o meu corpo começou a andar sozinho. Encontrei-me com o Ottmar e a Anne junto ao albergue dos catalães, mas nem sinal deles. Vimos os escuteiros rezar e sair e, ao fim de algum tempo, decidimos ir bater à porta: eles deixaram-se dormir! Mas num ápice estavam junto a nós e lá fomos tomar o pequeno-almoço. Esta foi uma etapa muito bonita, mas foi também muito cansativa. Depois da linda Arcade, a subida parecia um carreiro de formigas. Quando chegámos ao topo conhecemos um voluntário que tinha ido para aquele sítio há uns anos para praticar o inglês. Mas tinha gostado tanto que não saiu mais de lá. Contou-nos histórias de javalis, de lontras e tesouros celtas. Ajudou-nos também a explicar como evitar a parte do Caminho junto à estrada dos carros. Nesta parte do Caminho as caras repetidas começaram a ser frequentes: todos os dias encontrávamos as mesmas pessoas. Pontevedra nunca mais aparecia, foi doloroso. Houve algumas partes especialmente difíceis para Pera neste dia e a Cris fez um trabalho fantástico de motivação. Por diversas vezes a Cris disse-me a mim, ao Ottmar e à Anne que seguíssemos, mas isso para nós não fazia sentido – eu dizia sempre que a minha hora limite de chegada era a hora de check out do dia seguinte. Quando chegámos, deixamos os catalães no albergue municipal, logo à entrada, mas descobrimos que o alojamento dos alemães e o meu ainda ficava a quase 2 quilómetros… Parámos para lanchar e depois seguimos. O alojamento em que fiquei só tinha 6 camas no meu quarto e era muito giro, com uma cozinha e casa de banho espectaculares, tudo com um elegante aproveitamento de madeiras industriais. O chuveiro era simplesmente maravilhoso!

Acabei por optar por descansar em vez de tirar partido de Pontevedra, algo que me faria arrepender. Também aqui tive de comprar um casaco, uma vez que não tinha levado. Os alemães estavam muito entusiasmados em ir dormir ao Convento Franciscano de Hebron e como eu lhes tinha dito que podia cancelar qualquer noite de alojamento desde que o fizesse com pelo menos 24 horas de antecedência, cancelei a dormida em Padrón. Isto tudo enquanto lutávamos para arranjar sítio para jantar em Pontevedra. A cidade estava cheia de pessoas!

Quando regressei ao alojamento para dormir, estava lá um casal de jovens namorados espanhóis, ele madrileno, ela de Málaga, com quem eu me tinha cruzado todos os dias, fazendo eles o Caminho com um outro casal. Fiquei a saber que tinham conhecido o outro casal sevilhano no comboio e que juntos tinham passado a fronteira de Tui para Valença e aí tinham começado o Caminho. No entanto iriam separar-se na manhã seguinte, uma vez que os sevilhanos seguiriam o tradicional Caminho Português (o mesmo que eu e os meus companheiros) e este casal seguiria o recém publicitado Caminho Espiritual, sobre o qual estivémos a falar o pouco que sabíamos desta variante. Quando me sentei no sofá que estava na zona da cozinha, ele estava a preparar um leite morno para a namorada e gentilmente ofereceu-se para preparar algo para mim também. Foi como se, por momentos, estivesse em casa ou em casa de alguém que conhecia desde sempre. Estivémos a falar sobre as nossas experiências sobre o Caminho e as experiências daqueles que conheceramos no mesmo. O madrileno ainda assinou por mim o painel do alojamento. Depois fomos deitar-nos e não deixei de apreciar o momento em que eles se despediram com um beijo e ele foi dormir para o beliche de cima e ela para o beliche à minha frente.


 

Não perca nenhum dos artigos!

PRÉ-CAMINHO

DIA 1: Valença – O Porriño

DIA 2: O Porriño – Redondela

DIA 3: Redondela – Pontevedra

DIA 4: Pontevedra – Caldas de Reis

DIA 5: Caldas de Reis – Hebron

DIA 6: Hebron – Santiago

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