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[Guest Post] Caminho de Santiago|Dia 1: Valença – O Porriño

Este é o segundo de sete artigos de autoria de Magda Silva Veríssimo do blogue Cheia de Penas ( https://cheiadepenas.blogspot.com/).

Magda, tens a palavra!

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DIA 1: Valença – O Porriño

Aproveitei a boleia do meu marido para Valença do Minho. Chegámos à noite e na manhã seguinte tomámos o pequeno-almoço e eu comecei o Caminho. Atravessei todo o Forte de Valença (magnífico!) e vislumbrei os primeiros peregrinos. Atravessei a ponte e estava em Tui (tão magnífico como Valença!). Ao fim de alguns metros tive a minha primeira dúvida no Caminho, acompanhada de alguma angústia – mas foi breve. Foi em Tui que uma velhota de bengala e cabelo branco me desejou pela primeira vez “Bom Camino!” – julgo que jamais esquecerei esta senhora que ia para a missa na Catedral, enquanto os sinos dobravam. Parei na Catedral e falei com um senhor alemão que tinha visto em Valença – mal sabia eu que o Ottmar seria um dos meus amigos do Caminho! Ele seguiu caminho com a mulher, Anne, e eu fiquei um pouco mais, não queria intrometer-me. Um pouco depois e voltei a ter uma dúvida por onde seguir, mas como já vinha bastante gente atrás de mim, limitei-me a esperar que eles passassem e segui-os – fiquei a saber uns dias depois em Caldas de Reis que um grupo português da Marinha Grande se tinha perdido ali de noite e tinha andado mais de 2 kms até um gentil-homem se vestir para os ajudar.

Na turba de gente após Tui estava um casal catalão com o seu filho de 10 anos: Toni, Cris e Pera. Junto a um tanque de água trocamos algumas palavras e o Caminho juntou-nos. Eles contaram-me que este já era o seu quarto Caminho, embora fosse o primeiro de Pera. Vinham de Ponte de Lima e já tinham feito o Caminho Francês – foi amor à primeira vista! Cris estava magoada num dos ombros e por isso, embora contra vontade, não transportava a sua mochila. Falámos bastante e uns quilómetros depois encontrámos Ottmar e Anne e a partir daí o Caminho foi sempre a 6.

Embora o Caminho estivesse menos bem marcado do que eu esperava, achei espectacular o trabalho da AGACS – Associação Galega dos Amigos do Caminho de Santiago. Alguns quilómetros após termos começado a caminhar todos juntos, encontrámos um quintal típico, mas com adaptação de conforto moderno, com uma banca de comidas e bebidas gerido pela AGACS. A voluntária que lá estava insistiu e teimou, com bastante humor e simpatia à mistura, que nos queria explicar algumas partes chave próximas do Caminho e desvio do polígono industrial. Foi uma ajuda valiosíssima.

Apesar de termos planeado as mesmas etapas, cada uma das 3 partes tinha o alojamento tratado de maneira diferente: eu tinha todos os dias marcados do princípio ao fim do Caminho; os alemães marcavam no próprio dia o alojamento, seguindo as recomendações do guia que tinham; os catalães ficavam em albergues municipais, pelo que não era possível reservar e estavam sempre sujeitos à disponibilidade dos mesmos. Tive o cuidado de, nas minhas reservas, ter sempre lençóis – assim não carreguei o saco de cama. Os catalães tiveram sempre a angústia de estar condicionados pelos escuteiros – haviam dois grupos de escuteiros italianos que rumavam aos albergues municipais e, em virtude de estes terem pouca capacidade, nunca se sabia se haveria quarto disponível.

Quando chegámos a O Porriño, cada um seguiu para o seu alojamento. O meu hostel era fantástico! Tinha um só quarto enorme cheio de beliches com cortinas em volta de dois corredores, mas dispostos de uma maneira pouco habitual. Tinha também cacifos e aí percebi que as mochilas estavam todas junto às camas, em vez de junto aos cacifos, e que os poucos cacifos que estavam ocupados não tinham cadeado. Percebi imediatamente que todos os pertences que cada um dos meus colegas de quarto tinham estavam na mochila e por isso a mesma deveria estar o mais perto possível da sua cama. Cheguei a uma hora em que as casas de banho estavam vazias e por isso tomar banho foi como se estivesse em casa. Depois fui lavar e estender a minha roupa e saí para ir comer. Estava muito feliz com o meu primeiro dia.

O Porriño não é grande, de todo, e as pessoas foram todas muito simpáticas. Mal saí do albergue encontrei-me com os catalães, que também estavam a sair para ir comer e comemos todos juntos. No final da refeição apareceram os alemães, que também comeram, mas já só na minha companhia, pois os catalães não tinham tratado da sua roupa e por isso ainda tinham de ir fazê-lo. Despedi-me por fim dos alemães e fui descansar, após agendarmos o pequeno-almoço dos 6 para o dia seguinte. Nessa noite decidi não jantar, tendo comunicado essa opção aos meus companheiros – era o meu primeiro dia do Caminho e como almocei tarde, não teria fome à hora de jantar e, como não gosto de deitar-me de barriga cheia, privilegiei o descanso. Acabou por me dar bom descanso – subi à minha cama, tomei comprimidos para a fadiga e dores musculares (apenas por prevenção), ouvi um pouco de música e adormeci. A parte pior foi quando acordei às 4 da manhã para ir à casa de banho e não conseguia descer do beliche… E quando finalmente consegui ir à casa de banho, já não tinha muito sono.


Não perca nenhum dos artigos!

PRÉ-CAMINHO

DIA 1: Valença – O Porriño

DIA 2: O Porriño – Redondela

DIA 3: Redondela – Pontevedra

DIA 4: Pontevedra – Caldas de Reis

DIA 5: Caldas de Reis – Hebron

DIA 6: Hebron – Santiago

 

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