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[Guest Post] Caminho de Santiago|Pré-Caminho

Já falámos aqui no blogue que temos muita vontade de fazer o Caminho de Santiago a pé. Mas o nosso filho mais novo só tem seis anos, é muito pequeno para fazer o percurso connosco e tenho sérias dúvidas que o nosso filho mais velho de quinze anos conseguisse aguentar. Mas ninguém nos mandou criar dois filhos com opiniões próprias, verdade? Pois, os rapazes fazem questão de nos acompanhar em todas as viagens e não querem saber de ficar em casa.

Portanto, não temos outra solução senão aguardar alguns anos para que os rapazes cresçam e possamos fazer o Caminho em família.

Felizmente há muitos viajantes por aí que põem os pés ao caminho e fazem o Caminho. Os próximos artigos a serem publicados no passaporte no bolso são da autoria de Magda Silva Veríssimo do blogue Cheia de Penas ( https://cheiadepenas.blogspot.com/). São sete posts, este e mais seis, que relatam o caminho.

Magda, tens a palavra!

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PRÉ-CAMINHO

Há já algum tempo que queria ir fazer o Caminho de Santiago. Há muitos anos que ouvia falar do Caminho, suas variantes a razões para fazer o mesmo. Por diversas vezes consultei amigos meus, curiosa com a experiência de quem já tinha feito o Caminho. Quando fui a Santiago vi alguns peregrinos, mas não percebia o que lhes ia na alma – no fim desta aventura, eu era uma deles!

Um ano antes do meu Caminho, quando o meu pai recebeu a notícia da sua reforma, ofereci-lhe a minha companhia para o Caminho. Mas estava receosa de levá-lo no meu primeiro Caminho e como acabou por não ser planeado com antecedência, fui sozinha. Tinha receio de não termos o mesmo ritmo, de poder querer fazer algo diferente do que ele quereria, de ele enveredar por uma vertente demasiado católica do Caminho. Inclusivamente dei-lhe a notícia online, para não ter de o enfrentar quando lhe desse uma boa notícia para mim, que de certeza o deixaria feliz, mas não lhe agradaria na totalidade. Já a minha mãe, nada adepta de esforços físicos, nunca demonstrou interesse no Caminho.

Tinha planeado fazer o Caminho Português com o meu marido em Setembro, mas por várias condicionantes acabei por cancelar tudo. Apenas ficou decidida qual a variante do Caminho que eu faria. Foi a conjugação de uma série de fatores que me fizeram ir naquele momento, antes ainda da data que tinha planeado: a minha filha estava longe de casa de férias por 2 semanas e ela não tinha idade para ir, o meu marido estaria nessa semana num campeonato na Corunha (perto de Santiago) e eu não queria a sua companhia para o Caminho por recear ser enviesador da experiência e por estar sempre agarrado ao telefone, era Verão e por isso o tempo estaria bom e podia ir sem o meu pai que estaria ocupado com os seus afazeres de verão a auxiliar a minha mãe com os arrendamentos das casas a turistas. Também o meu irmão estaria demasiado ocupado profissionalmente para me acompanhar, embora de todos fosse quem eu escolheria para ir.

A principal razão que me levou a fazer o caminho fui eu – queria testar-me física e psicologicamente e queria estar comigo, sem os outros habituais da minha vida, por forma a me centrar em mim e tomar algumas decisões pessoais. O misticismo do Apóstolo Tiago Maior e a beleza do Caminho também me motivaram.

Ir sozinha nunca foi um problema para mim, mas foi fonte de preocupação para outras pessoas, umas declaradamente e outras sem grandes manifestações. Eu sabia que no início de Agosto o Caminho teria gente mais do que suficiente para não caminhar sozinha, mas ao mesmo tempo caminhar sozinha também não me assustava. Sabia que o que me propunha não era demasiado exigente fisicamente e comprometi-me comigo mesma que se em algum momento psicologicamente não quisesse lá estar, resolveria na altura. O único cuidado que tive foi marcar todas as noites de alojamento conforme as etapas que tinha planeado, mas uma vez que poderia cancelar qualquer uma delas sem custos até um dia antes, também não estaria limitada em demasia. Acabou por ser útil quando tive de antecipar o início do Caminho um dia antes do previsto.

Tive oportunidade de dar algumas caminhadas a pé antes do Caminho, que embora a maioria não tenha sido tão longa como eu gostaria, foram todas boas experiências e bons ensinamentos. Testei roupa que achava que podia levar para caminhar, auxiliares de caminhada (bastão), a melhor maneira de me hidratar e treinei a gestão do peso da mochila. Pouco mais. O meu irmão, que faz trails com alguma frequência, emprestou-me a sua mochila e ajudou-me na logística da mesma, com fornecimento das pastilhas de isotónico e alguns utensílios fundamentais: faca, primeiros socorros, lanterna frontal, reflectores, mosquetões, garrafa maleável, entre outros. Aos meus pais coube o fornecimento da Vieira e a uma amiga o terço.

Um dos grandes desafios foi arranjar a minha credencial, uma vez que queria ter a Compostela. Acabei por descobrir que podia solicitá-la pela internet. Outro dos desafios foi arranjar um guia que me auxiliasse, caso fizesse o Caminho sozinha e acabei por ler e reler o meu guia muitas vezes – cada etapa eu lia no dia antes, na manhã antes de iniciar, ao longo do dia e no final da etapa, assim sucessivamente todos os dias.


Não perca nenhum dos artigos!

PRÉ-CAMINHO

DIA 1: Valença – O Porriño

DIA 2: O Porriño – Redondela

DIA 3: Redondela – Pontevedra

DIA 4: Pontevedra – Caldas de Reis

DIA 5: Caldas de Reis – Hebron

DIA 6: Hebron – Santiago

 

 

 

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